
Mateus, um apóstolo com cabeça de CEO
"A todo aquele que tem, será dado mais, e terá em abundância. Mas ao que não tem, até o que tem lhe será tirado" (Mateus, 25, 28-29)
Sim, você quer muito conquistar algo? O psicólogo estadunidense Malcom Gladwell, em seu livro Outliers, ensina como: tenha boa quantidade deste algo... e você o conquistará com toda certeza.
Este pensamento parece enterrar o mito romântico de vitoriosos que surgiram do nada para chegar a ter tudo. Só se sai do nada para ir a canto algum.
Ouvi recentemente de um aluno meu na faculdade: professor, a melhor hora de procurar um emprego é quando já se tem um. Faz sentido, nesta hora você está mais seguro, confiante, lúcido; desempregado, você se agarra a primeira proposta que lhe sirva para folgar suas dívidas... Já ser perguntou porque os ricos ganham tanto dinheiro? Eles ganham dinheiro... porque têm muito dinheiro! Se você tem boa saúde, é quase certo que terá... muita saúde!! Caso não tenha... quem sabe...
A tendéncia é: se temos boa quantidade de alguma coisa, qualquer coisa, é quase natural obter mais, muito mais. Já quando não se tem...
Sempre que possível, procure ter dois exemplares de uma mesma coisa. É batata: quando se perde, por exemplo, um cabo USB, se tivermos um cabo reserva, rapidinho aparece o primeiro cabo desaparecido. Se fosse o único que tivéssemos conosco, aí sim, teríamos perdido-lhe para sempre :)
Acontece com qualquer coisa: caneta, sapato, livro... quando temos mais de um do mesmo tipo, é como se fosse formada uma força magnética que acaba atraindo o par desgarrado de volta em algum momento. Se é o único, forças do mau conspiram para tomá-lo de nós :)
Portanto, o segredo para ter algo em abundância é: já ter este algo em boa quantidade, daí é só agir com foco e consciência que o bolo tende a crescer.
Crescimentos ou progressos megalômaníacos são em geral procedimentos suicidas. Construa disciplinadamente um bom montante que o permita sonhar alto, não queira inverter a ordem deste processo.
Ou seja, vai se atirar com tudo no precipício de uma nova empreitada? Leve no mínimo dois pára-quedas, pois do nada só se vai a lugar nenhum.
O efeito Mateus
quinta-feira, 27 de outubro de 2011 | Postado por Rômulo Justa às 07:12 2 comentários
Biofilia

Jaya e seu humano, o Prof. DeRose
O cheiro da chuva, o tato da brisa da praia, a carícia dos primeiros raios solares, a visão poética do pôr-do-sol no horizonte...
Cuidar de uma planta, acariciar e brincar com seu cãozinho ou gatinho, mexer na terra, plantando alguma coisa...
O que tudo isso tem em comum para o ser humano? Segundo alguns pensadores, todas estas ações expressam a biofilia, isto é, a tendência inata da humanidade a aproximar-se da natureza viva e retirar desta experiência uma sensação fundamental de bem-estar, saúde e felicidade.
Exatamente, você está geneticamente programado para se deixar absorver poeticamente por um pôr-do-sol ou uma lua cheia. Está inapelavelmente constrito a ter um bichano qual seja, um cachorro, uma cracatoa, um dragão de Komodo...
Mas qual foi a última vez em que você fez alguma destas ações? Não tem tempo?
Não precisa se mudar para a lagoa azul, se perder na ilha de Lost. Reserve, diariamente, 10 minutinhos para exercer sua biofilia.
São 10 minutos em que você caminha num parque ou praia a caminho do trabalho, brinca com o seu cãozinho ou o do vizinho, rega sua plantinha na janela, aspira profundamente o perfume de uma flor... seja criativo!
Só não passe um dia sem exercer sua biofilia! Exerça sem moderação, você merece!
terça-feira, 25 de outubro de 2011 | Postado por Rômulo Justa às 06:06 0 comentários
Perca o controle e ganhe a confiança

Excesso de controle não gera respeito, gera medo.
Medo não gera ação, gera reação.
Então porque diabos cônjuges, gerentes, familiares, patrões se esfalfam tanto em conquistar ou manter seu controle sobre os outros? Toda e qualquer briga ou desentendimento é disputa por poder e controle.
Quem sente necessidade de relembrar o tempo todo que está no comando já o perdeu há muito tempo. Este infortunado parece não ter acordado para a diferença entre autoridade e influência.
Autoridade emana de um cargo, qualquer um que o ocupe por mérito ou demérito a tem; influência abunda do exemplo, do carisma, só é conquistada pela ação.
Quando as regras já estão claras, as metas, as condições, é hora apenas de acompanhar e auxiliar, com dicas, mais esclarecimentos, estímulos etc. Não queira que as coisas saiam do seu jeito, não sairão, seu jeito nunca será "O" jeito do mundo :)
Obviamente que isto não é sinônimo de largar responsabilidades em mãos alheias e sair despreocupadamente para tomar um café. Planeje, prepare, ensine e depois acompanhe. Este é o segredo para incutir confiança e começa com você.
Quem busca paranoicamente o controle não está seguro, como quer inspirar confiança nos outros? Não mesmo.
Faça melhor: perca o controle e ganhe a confiança!
quinta-feira, 20 de outubro de 2011 | Postado por Rômulo Justa às 08:24 0 comentários
Você está preocupado ou está engajado?

Não sei em que momento desafortunado inventou-se que estar preocupado com algo ou alguém é uma honrosa forma de mostrar-se engajado, responsável. Viver despreocupado, então, a muitos soa como um xingamento existencial, como se o despreocupado em questão fosse um desocupado: "vai arranjar com o que se preocupar!!!", dizem os preocupados.
Preocupar-se, no dicionário dos entendidos, é ocupar-se com antecedência, preenchendo valiosos espaços livres de nosso tempo e vida com uma expectativa negativa. Sim, negativa, ou vai dizer que essa carranca, esse cenho franzido de mau humor, é porque você está se preocupando com as suas férias em Cancún? :)
A preocupação é uma reação orgânica de defesa ante uma má expectativa (alguma não o é?), uma reação deletéria: ninguém sai melhor de uma preocupação. Ah tá, Rômulo, vamos todos viver despreocupados agora, vamos embora para Pasárgada, para a PQP e viver de vento... é isso?
De jeito nenhum! Uma coisa é estar preocupado, outra é estar engajado. Quando alguém se preocupa, transmite a seus familiares, subordinados, sócios, cônjuges, uma torrente de ansiedade e maus sentimentos. É um mau emprego do foco, pois ao final de tanta preocupação, as coisas até podem dar certo, mas não as usufruímos com prazer e sim com alívio... Não vale a pena!
Estar engajado é um bom emprego do foco! Traz o mesmo coeficiente de atenção, dedicação e planejamento, mas aplica doses cavalares de confiança, paciência e alegria, pois entende-se que o único ativo de uma equipe (qualquer que seja) são suas emoções, elas são os combustíveis das realizações humanas! E o que lhe soa mais realizador: uma equipe preocupada ou uma equipe engajada? Uma família preocupada ou uma família engajada? Um casal preocupado ou um casal engajado?
Cara feia, lamúrias, pessimismo, não provam a ninguém que um sujeito esteja engajado no que faz, não inspiram confiança, mas sim comprovam que este coitado não confia no que faz e nas pessoas que o cercam. A ação focada, mas leve e alegre, é o que realmente faz a diferença.
Preocupar-se é coisa para desocupados
quarta-feira, 12 de outubro de 2011 | Postado por Rômulo Justa às 18:42 0 comentários
Marcadores: comportamento organizacional, filosofia prática, qualidade de vida
Liberdade = escolha + responsabilidade

Liberdade é um mito que vende refrigerantes e estampa camisetas.
O ser humano, olhando friamente, é um animal desajustado agindo sob o impulso de instintos e condicionamentos, dopado com pão, circo e hóstia.
Pensamos , em geral, que liberdade é a ausência completa de regras e a total disponibilidade do mundo para acolher qualquer impulso nosso, por mais inconveniente que seja. E acolher sorrindo.
Esta ideia de liberdade hoje está devidamente codificada com o nome de esquizofrenia.
Na minha modesta opinião, liberdade é sinônimo de escolha, não de inúmeras opções simultaneamente, mas de algumas poucas, assumidas com uma responsabilidade incondicional.
Nesta escolha incondicional, não há como culpar outrem por qualquer coisa que nos aconteça: se a proposta é sermos livres, ma atrelamos a causa de qualquer acontecimento a outrem, confessamos que dependemos dessa pessoa ou situação para o sucesso ou malogro de nossos intentos.
Não quero dizer que podemos prescindir das influências de pessoas para sermos livres, pois isto seria impossível, mas dobrar estas influências a favor daquilo que você acredita e valoriza, isto sim é possível todo dia. É um exercício de liberdade, diário.
terça-feira, 11 de outubro de 2011 | Postado por Rômulo Justa às 08:09 0 comentários
Steve Jobs, modos de viver, modos de morrer

Em algum momento pretérito da civilização, vivíamos em contato direto com a natureza e seus ciclos. Não só tínhamos natureza abundante ao redor, como usufruíamos de tempo para observá-la.
A natureza efêmera dos seres, naturalmente, colocava-nos em contato direto com a morte e a extinção. Deduz-se que, desta maneira, nosso modo de encarar a finitude seria descomplicada e natural como esperar um fruto amadurecer o suficiente para cair do galho e ser saboreado.
A morte, portanto, devia ser um assuntos corriqueiro e frugal, diário. Agora me diga:
Você já falou sobre morte hoje?
Claro que não, a morte tornou-se uma neurose secreta de uma cultura que valoriza o hedonismo juvenil eterno ou a passividade religiosa post-mortem. Como diria o falecido Steve Jobs: todos querem o paraíso, mas ninguém quer morrer.
Essa neurose nos afasta de um questionamento crucial que deve nos acompanhar desde cedo: como quero morrer?
Sim, o que é uma boa morte para você? Oras, você não escolhe a roupa que veste, o smartphone que usa, o parceiro afetivo, o apartamento que mora, por que diabos não se daria o trabalho de escolher o seu modo de morrer? Você acha isso impossível?
Seu modo de viver influencia seu modo de morrer. Seu sonho é envelhecer e ver seus netos crescerem? Seus hábitos de vida hoje lhe propiciariam esta boa morte? Deseja morrer no auge de sua lucidez, ativo e produtivo? Seus hábitos congitivos hoje, sinceramente, garantiriam-lhe esta passagem honrosa?
A todo momento, a proximidade com a morte deve servir como um raio X de nossas ações, respondendo a uma indagação fundamental: o que estou fazendo, afinal, irá me conduzir a uma prestação de contas honrosa com a Derradeira? Estarei leve e resoluto perante Ela? Pois mesmo se não estiver, não tenha dúvida, ela vai lhe colher do mesmo modo.
Steve Jobs, morto recentemente, deixou um pungente depoimento sobre esta situação:
"Lembrar que estarei morto em breve é a ferramenta mais importante que já encontrei para me ajudar a tomar grandes decisões. Porque quase tudo - expectativas externas, orgulho, medo de passar vergonha ou falhar - caem diante da morte, deixando apenas o que é apenas importante. Não há razão para não seguir o seu coração.
Lembrar que você vai morrer é a melhor maneira que eu conheço para evitar a armadilha de pensar que você tem algo a perder. Você já está nu. Não há razão para não seguir seu coração."
segunda-feira, 10 de outubro de 2011 | Postado por Rômulo Justa às 10:04 0 comentários
5 minutos de desistência

Quando acordo às 4 da matina da segunda-feira, esteja certo que os primeiros cinco minutos do meu dia são de completo desistencialismo.
Sinto que toda a raça humana poderia estar em risco, a Terra em vias de explodir, que o meu único desejo seria me aninhar no meu travesseiro morninho... e dormir, de novo!!
Mas tenho meus compromissos e, como se diz, missão dada é missão cumprida. Deste modo, tão logo acordava e sentia essa onda desistencialista, começava a me fustigar moralmente: "levanta, seu preguiçoso!!! quer vida mole? quem você pensa que é para ficar aí deitado, esperando a vida passar, levanta!!!"
Esse burburinho mental me maltratava por demais e me fazia começar o dia da pior maneira possível.
Até que, num golpe de lucidez, decidi simplesmente... ceder! E o que descobri foi fantástico: depois de cinco minutinhos dando razão ao desistencialismo, a preguiça simplesmente... passou!! E foi assim por todos os outros dias em que apliquei esta estratégia.
Resultado: aprendi que, muitas vezes, precisamos reconhecer e aceitar nossos instintos mais básicos, aqueles que geralmente estão às avessas das imposições culturais e civilizatórias. Preguiça é legal, todos devem ter e não reconhecer isso é como negar um doce a uma criança, só piora a situação!
Lição aprendida, hoje reservo sagrados cinco minutinhos ao completo desistencialismo pós-sono, sem culpa ou pressa, pois, logo depois, sentindo-se reconhecido e lisonjeado, ele segue o seu rumo e eu sigo outro :)
E a pergunta que não cala: de quantos projetos e ações abrimos mão simplesmente por não nos concedermos o direito a cinco minutinhos de desistência?
quarta-feira, 5 de outubro de 2011 | Postado por Rômulo Justa às 09:32 0 comentários
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