
Reclamar é uma das atitudes mais parvas de que um ser humano é capaz. Sinceramente, eu sou alérgico a reclamações.
Vejamos: reclamar não transformada nada, apenas gera um ambiente de desconforto generalizado. Reclame de uma pessa e ela nunca mais lhe olhará nos olhos; reclame de uma situação e espera ela piorar no mesmo momento. Quem reclama vê acontecer e, ao invés de intervir, prefere chorar as pitangas até que alguém veja e resolva por si.
E ainda pior, reclamar é contagioso, pois a reclamação é faminta por mais reclamações que a alimentem.
Numa fila de banco, não raro uma pessoa chega até você puxando papo com alguma reclamação: "mas esta fila está muito lenta, este funcionário é um lesado, este banco é pior do que o outro, a crise tá acabando com minha vida etc."...
Minha estratégia então é virar-me para a pessoa e dizer: é, mas olha, já vi piores. E volto as costas inocentemente. De relance posso ver a cara de espanto da pessoa... é como se aquilo que lhe é mais íntimo fosse traído!
Daí eu penso: que diabos anda acontecendo para que reclamar vire assunto para puxar conversa? Só mesmo uma vida muito medíocre pode se dar esse luxo.
Mas vou parar por aqui porque já está parecendo uma reclamação :)
Ah, existe uma diferença entre reclamação e reinvidicação, mas isto é assunto para outro momento...
Tratado sobre a reclamação: a fila
quarta-feira, 28 de setembro de 2011 | Postado por Rômulo Justa às 08:16 0 comentários
A Matrix afetiva: terminar?

Quando falo que vivemos numa matrix afetiva é porque, realmente, só estando narcotizados por anos de novelas e Hollywood para cairmos frequentemente em erros grosseiros.
"Vamos terminar!" Diz um dos cônjuges do casal; e aí começa o chororô, as ameaças, as promessas infundadas, como se cada um optasse, naquele momento, por cometer um harakiri sentimental. Alguns dizem que isto é a prova do verdadeiro amor e arrisco dizer que muitos até sentem um secreto prazer sado-masoquista neste espetáculo!
Aos amigos que optaram pela pílula vermelha, vai uma dica, simples e até lógica se levarmos em conta a natureza dos sentimentos humanos:
Não terminem, transformem.
Você tem um cachorrinho em casa, está descontente com ele, a solução é instantânea: jogue-o fora e não lhe dê mais atenção pelo resto da vida!!! Fale mal dele, deseje-lhe o mal... faz sentido?
Faça o mesmo com seus pais: jogue-os fora assim que começarem a desagradar. Faça isso com seu trabalho, sua casa... e depois peça internação em algum hospital psiquiátrico.
Quanto a nossos sentimentos e emoções, seremos eternamente infantis, pois é este o modo de funcionamento próprio do emocional. Porque contradizê-lo só por birra? O que acontece se você diz a uma criança que a hora de brincar acabou? Pois experimente dizer que acabou hoje, mas amanhã terá mais; e perceba a diferença.
Portanto, diante de desentendimentos, tédios ou afins num relacionamento, ao invés de saltar fora como um dândi inconsequente e lamurioso, permita que a relação se transforme: dê férias conjugais, experimente ser mais amigo que namorado, ligue menos, escute mais e, se tiver um relacionamento aberto, permite ao parceiro(a) novas experiências afetivas.
Contudo, não caia na bobagem de assassinar como um açougueiro vários anos de relacionamento só porque você quer repetir algum script de novela chinfrim. Cresça e mude, não por instabilidade, mas por que você sentiu que é chegada uma nova hora para si e seu parceiro(a).
E não vão lá confundir o que eu disse como uma ode aqueles limbos emocionais em que pessoas indecisas, dependentes e sem atitude se metem por receio de mudar de ou seu relacionamento. Não tem nada a ver. Nessa novela não opino :)
segunda-feira, 26 de setembro de 2011 | Postado por Rômulo Justa às 11:03 0 comentários
Marcadores: comportamento, relações interpessoais
Desistir com bravura

O míto de Sísifo... procurem no Google, kkkk
A História rende louros a heróis que resistiram bravamente a situações adversas. Quantas histórias (e estórias, pois não!) belas de perspicácia e resistência além dos limites!
Mas há muita bravura em desistir heroicamente.
A concepção de resistir até o seu limite, a despeito de dor e desconforto, não pode ser utilizada com tanta frequência sob o risco de criarmos uma legião de super-heróis amargos e rancorosos, insensíveis e insanos.
É teimosia, orgulho cru, não quere saltar de um barco quando ele afunda, só por heroísmo. Heroíco é preparar sua retirada com galhardia, reduzindo os danos da saída ou preparando meticulosamente sua sucessão, quando é o caso.
Heroíco também e desistir de algo pelo qual lutava-se há tempos, mas não rendeu os frutos esperados; só assim é possível abrir novas possibilidades.
Nos relacionamentos, desistir com ternura e honestidade, sem criar um melodrama neurótico de cobranças; no trabalho, desistir de uma ideia genial que se provou pouco produtiva, para, afinal, aperfeiçoá-la com as críticas! Desistir do próprio trabalho também, mas não sem antes quitar todos os seus compromissos e deixar a casa pronta para outro.
A persistência é realmente uma virtude maravilhosa, mas deve ser contrabalanceada com uma noção de escassez: temos pouco tempo de vida, poucos neurônios (só uns bilhõezinhos), dois braços, duas pernas e um mundo imenso e misterioso diante de nós!! Não dá para fazer tudo, nem mesmo fazer tudo dar certo.
Não tema desistir quando a persistência é apenas produto de compromissos em que nem mesmo você acredite: acostumou-se a acreditar por hábito e preguiça!! Desista, mas desista com bravura e elegância, deixando uma marca positiva e definitiva das situações e contextos de que se retirou.
quinta-feira, 8 de setembro de 2011 | Postado por Rômulo Justa às 08:01 0 comentários
Marcadores: filosofia prática, ética
Anotações sobre liderança: a força e a fragilidade

A força inspira, a fragilidade cativa
Em geral, acha-se que devemos a todo momento exalar autoconfiança, força e determinação.
Em livros sobre liderança é sempre o mesmo estribilho: mostre-se inspirado, infalível, pujante e inspire sua equipe a seguir seu exemplo!!
A questão é que, com frequência, a demonstração de força, ao invés de inspirar, amedronta, ameaça, incomoda, causa inveja. Às vezes, pelo simples fato de ser uma força desmedida, bruta, que não raro brota de um ego excessivamente autoconfiante.
O resultado é que aqueles que rodeiam o “forte”, com o passar do tempo, passam a criar uma resistência aos solavancos constantes que recebem dele: ou baixando sua autoestima a níveis abissais (é... não posso fazer isso sozinho, preciso dele para isso), ou alimentando um sincero desejo de vingança (um dia ele vai quebrar a cara, ah se vai!).
Nesse momento, uma simples demonstração de fragilidade, ao invés de manchar a reputação ilibida do líder-general, cativa, por demonstrar que, afinal, todos podem errar e pagar por isso! É muito mais reconfortante saber que estamos trabalhando, afinal, com pessoas que também entendem nossos medos e receios, posto que todos os têm.
Penso que liderar (em qualquer situação) é alternar estas duas demonstrações: de força, para inspirar e sacudir, para teimar e empreender e mostrar que você está junto a todos na mesma guerra!! E de fragilidade, para permitir-se ser acolhido e ajudado por outros e não esquecer sua raiz humana e falível.
A força inspira, a fragilidade cativa! Inspire e cative!!
terça-feira, 6 de setembro de 2011 | Postado por Rômulo Justa às 08:37 0 comentários
A Matrix afetiva: a expectativa
A expectativa é um vilã sherlockiana: furtiva, ardilosa, ele se oculta nas franjas de nossas emoções e, quando menos esperamos, saca sua adaga e a crava em nosso coração.
A maioria dos desentendimentos e desilusões amorosos, se não todos, são frutos de expectativas traídas. Até aí ok, c'est la vie, n'est-ce pas?
Mas há alguma expectativa que se cumpra? Pense cuidadosamente...
Não, toda expectativa é feita para ser frustrada. O destino da expectativa é a frustração.
O que fazer então, não tê-las? Impossível, afinal, nós devemos sim esperar que nossos desejos e anseios sejam, pelo menos em parte, saciados; e lutar por isso. Oras, nós merecemos!
Uma solução lúcida é ampliar e diversificar suas expectativas. Não esperar que TODOS os seus anseios sejam saciados por um único e falível ser humano (lembra do mito do objeto único?)
Aos que cultivam formas de relacionamento aberto, há ainda a possibilidade de pulverizar suas expectativas com pessoas diferentes: sabe aquele historinha infame de "bom de cama, ruim de papo"e vice-versa? Ao invés de tentar unificar as qualidades a todo custo, aceita-se que cada um desenvolva e viva com o que lhe é característico, permitindo-se conviver amorosamente com pessoas diferentes, com as quais pode-se cultivar expectativas mais realistas com base naquilo que realmente somos.
Lembre-se, expectativa é inevitável, só nos compete administrá-la de forma a que nos conduza à felicidade. Vez ou outra ainda se pergunte: estou esperando o quê mesmo? E não leve nehuma expectativa assim tão a sério.
O destino da expectativa é a frustração!
quinta-feira, 1 de setembro de 2011 | Postado por Rômulo Justa às 07:59 1 comentários
Marcadores: comportamento, Cultura Shakta, relações interpessoais
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