
Que dilema: pessimismo ou otimismo?
É possível ser pessimista sem ser um poço de azedume que tem queixo para se queixar mas não tem peito para agir?
É possível ser otimista sem ser alienado, fútil e disfarçadamente intransigente com suas certezas?
Há quem se intitule “realista”, uma espécie de meio termo. Não sei não, realista é aquele que se atém à realidade? Seria fácil se cada ser humano não fosse, em si, uma realidade única...
Então uma solução que achei ao dilema cabe nessa frase: Espere e aja visando o melhor, mas prepare-se para o pior.
Simples assim: não perder tempo morrendo de véspera, achando que tudo falhará sem ao menos tentar, nem desenvolver um tipo de fé cega otimista e esperar placidamente que tudo dê certo.
Agir confiante e contente com o que se faz, preparado para aceitar os frutos de suas ações, ainda que estes sejam amargos, vez ou outra acontece e isto não é o fim do mundo.
Simples assim :)
Espere e aja pelo melhor, mas prepare-se para o pior
segunda-feira, 28 de junho de 2010 | Postado por Rômulo Justa às 14:04 0 comentários
Marcadores: comportamento, filosofia prática, ética
Pequenas grandes coisas...
“As grandes coisas são sempre coisas pequenas que percebemos” Markus Zusak
Tenho um profundo respeito pelas pequenas frivolidades e manias alheias. Até porque valorizo demais as minhas...
O que seria da vida sem os pequenos prazeres sem noção, rituais absurdos, gostos insólitos? Todas aquelas coisas que geralmente fazemos sem que ninguém perceba, até porque às vezes teríamos vergonha se nos vissem fazendo...
Andar com chaveiros surreais, gastar horas fuçando facebooks alheios, tirar fotos de si mesmo sozinho com câmera digital, ouvir programas de rádio com músicas vergonhosamente românticas ou ouvir mil vezes a mesma música seguidamente,comprar o álbum da Copa (depois dos 30), cantar sozinho no carro, encher o ipod com músicas de videogame, assistir sessão da tarde, tocar violão de cueca deitado no chão com as pernas pro ar...
Reconheceu-se em alguns destes pequenos prazeres à Amelie Poulain? Não tenha vergonha, todo mundo tem os seus e, ao contrário do que dizem, estas pequenas miudezas são, do ponto de vista subjetivo, coisas de imensa importância. É a elas que recorremos quando precisamos de alegria, força ou simplesmente quando não queremos pensar ou nos lembrar de nada.
Nunca, mesmo, desconsidere ou desrespeite as pequenas miudezas da sua vida e da alheia.
Uma empresa que procura policiar e censurar as idiotices inofensivas de seus funcionários está fadada à tumba. Uma equipe que não saiba gerenciar estas pequenas manias acaba se tornando uma companhia militar.
Um casal que não respeite as frivolidades de cada um também não vai muito longe. Trata-se simplesmente de respeitar o espaço vital de sua parceira/parceiro, e até se esmerar em cultivar suas próprias e intransferíveis besteiras em comum! Ora, pense bem, nos apaixonamos pelo quê? Detalhes. Um modo de olhar, de se movimentar, de sorrir, a sonoridade que seu nome ganha na voz dessa pessoa... Quer coisa mais ínfima e maravilhosa que essa?
Em família... putz! Vou nem começar! Desrespeite as pequenas coisas e você verá...
Aliás, escrever um blog é outra futilidade censurável. Ler também. Que bom, leitor, que conseguimos ser fúteis juntos! Obrigado :)
terça-feira, 22 de junho de 2010 | Postado por Rômulo Justa às 05:58 2 comentários
Brigada anticonselhos: aliste-se!!

Já recebi vários conselhos na vida. O problema é que não pedi pela maioria deles.
Então vamos deixar claro uma coisa. Quando alguém chega para você contando um problema ou situação, ela não quer necessariamente que você saque conselhos maravilhosos e salve seu dia como um super-herói ocasional. Basta ouvir. É pedir demais?
Queria ser uma infra-mosca para espionar a vida secreta destes nobres conselheiros do cotidiano. Será que algum deles faz realmente aquilo que aconselha? Aliás, nem vamos muito longe, será que nós fazemos tudo aquilo que aconselhamos? Se você disse não, bem-vindo ao clube...
Oh, o que teria sido do mundo se todos os seres humanos ouvissem os conselhos alheios, sobretudo aqueles pelos quais não pediram? Quanto inventos estariam engavetados, obras-de-arte, quantas revoluções teriam morrido na praia...
Dar e receber conselhos é uma arte rara que não deve ser banalizada. Quem os dá deveria cumprir alguns pré-requisitos, entre eles, o de ter vivido na pele aquilo de que fala. Isto confere mais honestidade ao conselho e nos impede de dar pitacos baseados em puro “achismo”.
Pedir conselhos também é uma arte. Escolher alguém que afetivamente identificamos como portador de um saber e se permitir, humildemente, absorver suas palavras, seu ponto de vista, seu feedback, é um procedimento nobilíssimo.
Um conselho que respeite estas duas condições, as de quem dá e de quem recebe, pode mudar uma vida, já todos os outro 99% que escutamos diariamente, bem, contra estes vale um conselho do DeRose:
“ninguém erraria se ouvisse seus próprios conselhos”!
De resto, aconselho veementemente essa música do Chico Buarque:
Bom conselho (Chico Buarque)
Ouça um bom conselho
Que eu lhe dou de graça
Inútil dormir que a dor não passa
Espere sentado
Ou você se cansa
Está provado, quem espera nunca alcança
Venha, meu amigo
Deixe esse regaço
Brinque com meu fogo
Venha se queimar
Faça como eu digo
Faça como eu faço
Aja duas vezes antes de pensar
Corro atrás do tempo
Vim de não sei onde
Devagar é que não se vai longe
Eu semeio o vento
Na minha cidade
Vou pra rua e bebo a tempestade
domingo, 20 de junho de 2010 | Postado por Rômulo Justa às 11:35 0 comentários
O Efeito Zeigarnik

A psicóloga russa Bluma Zeigarnik (1901-1988)
O Efeito Zeigarnik é uma tendência do psiquismo humano para lembra-se melhor e com mais frequencia das tarefas inacabadas em detrimento daquelas que já foram concluídas.
Foi descrito pela psicóloga russa Bluma Zeigarnik na década de 20 do século passado, inspirado num episódio incomum. Bluma estava hospedada num hotel e reparou que o camareiro do estabelecimento tinha uma facilidade enorme de se recordar daqueles pedidos que ainda não tinham sido atendidos. Os outros, já atendidos, ele esquecia logo em seguida...
Instigada com o fato, fez vários experimentos em que repassava aos sujeitos de pesquisa algumas tarefas. Em um dos grupos, ela interrompia a execução da tarefa abruptamente, enquanto o outro grupo a concluía. Depois de algumas semanas, ao entrevistar novamente os dois grupos, adivinha qual deles podia detalhar minuciosamente os deveres exigidos na pesquisa? Aqueles que não a haviam concluído!
Acho que você deve saber onde quero chegar... Sabe aqueles pensamentos e sentimentos que retornam o tempo todo, tomam sua atenção por completo, atrapalham suas atividades corriqueiras? Provavelmente, são frutos do Efeito Zeigarnik.
São palavras por dizer, ações por tomar, pensamentos que não ganharam forma, planos que permanecem na berlinda, como formas inacabadas que exigem uma solução. Enquanto algum ato não os satisfizer, pelo menos parcialmente, ele permanecerão em estado de constante tensão.
Esta tendência está tão incrustada nas subjetividades que pouquíssimas pessoas se dão conta de que seus pensamentos e sentimentos cotidianos não passam de um desfilar de queixumes de coisas por resolver! Acomodam-se e fingem viver bem com isso.
Em contrapartida, outras pessoas conseguem identificar facilmente o efeito Zeigarnik em ação, pois sentem seus efeitos. Aflição, impaciência, tristeza e afins são indicadores de sua ação exagerada. Não é tão difícil saber o que devemos fazer...
Até aí tudo bem, mas então por que, mesmo assim, não fazemos? E embarcamos na repetição de padrões de comportamento que simplesmente não nos fazem felizes?
Desconfio que seja um problema de congruência. Ser congruente (ao menos tentar né?) é reduzir o espaço que há entre pensamento, palavras e atos. Parece fácil? Pare e pense como foi seu dia. Quantas coisas pensamos e não fizemos, ou fizemos automaticamente, sem pensar? Quantas coisas falamos por falar, quando o melhor teria sido calar?
Entre o pensamento, o desejo e ação que os realiza, moram todos os fantasmas dos tabus, dos velhos hábitos, das pequenas certezas que nos impedem de agir em prol do que queremos e precisamos. São esses hábitos de pensamento, oriundos de experiências passadas recentes e remotas que nos afastam da força necessária à congruência, o único paliativo conhecido ao efeito Zeigarnik.
Obviamente nunca resolveremos situações por completo, vai sempre sobrar um restinho de insatisfação, que não é ruim, pois nos impele a agir e realizar. O efeito Zeigarnik é uma importante ferramenta de autoconhecimento, pois joga na nossa cara aquilo que precisamos e queremos, e ainda pergunta: “e aí, vai resolver ou não?”.
Se você disser que não, nem se preocupe, ele sabe seu endereço e voltará para lhe perguntar outra vez.
E assim nos tornamos, todos, excelentes camareiros de hotel...
(rsrsrs... caraca, esse foi o post mais soturno que escrevi! Eu quero minha mãe!!!)
quinta-feira, 17 de junho de 2010 | Postado por Rômulo Justa às 16:43 2 comentários
Aula de espreguiçamento com Dom Genaro Flores

Meu filhote com o cabelo bagunçado (puxou o pai, quando tinha cabelo...)
Espreguiçar-se é uma arte fantástica e vital. Para aprimorar o espreguiçamento precisamos ser... menos preguiçosos! Pois precisamos fazê-lo com mais frequência e melhor. Mas perguntemos a um especialista.
Dom Genaro Flores é o nome do yorkshire mais lindo que se tem notícia. Coincidentemente ele é meu cachorro, mas não é por isso que disse que ele era o mais bonito cão da galáxia, isso é mera coincidência...
Ele se espreguiça o tempo todo, a toda hora, mas está longe de ser preguiçoso. Bagunça é com ele mesmo! Cansei de presenciá-lo dando piruetas quando há pouco ele estava estatelado dormindo. Como ele consegue, qual o segredo? O papai insone dele vive se perguntando...
Fim do mistério: trata-se do espreguiçamento constante. DeRose falou em uma de suas aulas que nós nunca encontraríamos um leão fazendo aquecimento antes de correr para a caça, repetindo várias vezes um exercício, como o apoio de frente (rsrsrs... sempre rio quando tento imaginar a cena). Ele se estica todo de uma vez e pronto, sai para caçar.
Faça o mesmo, a qualquer hora do dia, procure esticar ao máximo o corpo inteiro, tracionando a coluna, os músculos, para depois soltá-los prazerosamente. Enlace as mãos e tracione-as para cima, como se um gancho o puxasse em direção ao teto e, ao mesmo tempo, junte os pés e estique-os para baixo, alongando a ponta dos pés, como se outra força o puxasse para baixo. Faça isso enquanto inspira e retém brevemente o ar com os pulmões cheios. Logo em seguida solte o ar e descontraia completamente.
Espreguice em pé, sentado ou deitado, logo ao acordar, no intervalo do trabalho, depois das refeições, enfim, a toda hora. Siga o exemplo do meu filhote :)
Não tenha preguiça, espreguice! 
Curtindo a cama do papai!
quarta-feira, 16 de junho de 2010 | Postado por Rômulo Justa às 18:38 1 comentários
Marcadores: animais, filosofia prática
Café da manhã de hotel

Adoro café da manhã de hotel. O curioso é que não há nada lá que eu não possa comer em casa. Nenhuma fruta diferente, nada de especial no pão, nada de extraordinário no café, mas ainda assim, lá é sempre mais gostoso...
Aliás, um pão comido numa padaria é diferente de um pão comido em casa, assim como tomar café numa cafeteria é diferente, jantar fora etc.
Por que será que isso acontece? A resposta está num pequeno termo em inglês: mindtricks, truques da mente, do pensamento, que vive à caça de estados de exceção para se divertir, pois seu alimento é a dispersão.
Sim, basta um minúsculo detalhe diferente para que seu estado psicológico mude e você passe a encarar coisas corriqueiras com outros olhos. Certa vez, numa aula com o professor DeRose, ele nos contou que, em uma de suas muitas viagens pelo Brasil, foi visitar uma vinícola que tinha a reputação de produzir um dos melhores sucos de uva do país. De fato, era delicioso! Decidiu então só tomar dessa marca e comprou várias garrafas.
Ao voltar para sua casa, que decepção! O gosto não era mais o mesmo, algo muito sutil tinha se perdido. Durante vários dias ficou tentando descobrir o que faltava, lembrando de cada detalhe do dia em que provara aquela tão deliciosa bebida.
Então, eureca! Lembrou que naquele dia inesquecível, o suco de uva tinha sido servido... em copos de cristal! Não se fez de rogado, comprou um conjunto de copos de cristal e quando foi beber novamente, estava lá, o gosto paradisíaco! Se era verdade ou só mais um mindtrick, pouco importa, estava lá...
Caso mais louco ainda destas traquinagens mentais acometeu meu velho amigo Rafael Gomes, psicólogo e um dos maiores luthiers e guitarristas do país. Há alguns anos atrás, ele me contou que sempre comia numa mesma lanchonete um mesmo salgado.
Quando já estava para encher o saco, ficou sabendo que a lanchonete passara a fazer um outro tipo de salgado, bem melhor. No outro dia lá estava ele louco para degustar a nova especialidade da casa. Na primeira mordida, tomado de fome e expectativa, já sentiu o impacto daquele novo sabor, que maravilha! Ele me disse que fora o melhor que tinha comido em toda sua vida!
Rafael "Old Man" Gomes e sua lendária guitarra Soraya Queimada...
No outro dia, a atendente veio lhe pedir desculpas. Desculpas pelo quê? Ela tinha trocado os pedidos, por hábito, serviu meu amigo com o seu velho pedido de sempre, o mesmo salgado das outras vezes! O mesmo mesmo!
É, peças assim nossa cabeça nos prega o tempo todo. A rigor, não há problema nenhum com mindtricks, eles são um importante fator de diversão e diversidade. Mas é melhor ainda quando podemos utilizá-los conscientemente, deliberadamente.
Só por querer, mexer nos detalhes e tornar algo enfadonho e rotineiro algo espetacular! Podemos fazer isso internamente, atuando diretamente sobre os pensamentos, o que é um pouco mais difícil, pois exige treino.
Mas podemos fazer isso externamente, agindo concretamente. Experimente não esperar eventos extraordinários, como uma viagem, para instaurar estados de exceção em seu cotidiano.
Quando estiver em casa, saia para tomar café da manhã num hotel. No hotel, saia para tomar o desjejum em casa. Pegou a lógica?
Agora é só aplicar! Mindtricks, tremei!!!! :)
segunda-feira, 14 de junho de 2010 | Postado por Rômulo Justa às 13:31 1 comentários
Aos namorados
Shiva sem Shaktí é shava*
O beijo, de Rodin
Não, nunca ninguém entenderá como se formam os casais, que combustão apaixonada é essa que une seres humanos que até pouco tempo sequer se conheciam e poderiam passar muito bem o resto de suas vidas sem se conhecerem..., mas não passam!
Fascinante é pensar que o que os enamorados sentem hoje encontra eco também em eras recônditas, em vários locais do mundo. Se lemos uma tragédias grega de séculos a.C., sabemos exatamente o que sentem aqueles infortunados amantes.
Um texto hindu milenar sobre as peripécias de Shiva e Shaktí, Rama e Sita, Krishna e as Gopis, sim, sacamos também o que eles querem dizer...
Shakespeare, no século XVI, Goethe, no XVII, Vinícius de Moraes, no século XX, pfff..., eles não dizem nada que você já não saiba instintivamente.
E os relatos antropológicos sobre as relações conjugais dos esquimós, dos mosuo, povoado matriarcal da china, os casamentos comunitários indígenas, até isso nós sabemos Rômulo? É, de certo modo, até isso você já conhece...
Pois já sentiu. E continuará sentindo, estão no seu chip de Homo Sapiens todas as dores e delícias da aventura conjugal humana. É mais forte que você.
Então, aos namorados, de qualquer forma de relacionamento possível, sugiro que mantenham zelosamente esta ancestral tradição e botem pra quebrar! Pratiquem, pratiquem e pratiquem!
Porém, como nesse aspecto ultimamente ando só na teoria, minha contribuição a este dia é este poema mordazmente maravilhoso do Carlos Drummond de Andrade, porque amor sem humor não dá...
Balada do Amor através das Idades
Eu te gosto, você me gosta
desde tempos imemoriais.
Eu era grego, você troiana,
troiana mas não Helena.
Saí do cavalo de pau
para matar seu irmão.
Matei, brigámos, morremos.
Virei soldado romano,
perseguidor de cristãos.
Na porta da catacumba
encontrei-te novamente.
Mas quando vi você nua
caída na areia do circo
e o leão que vinha vindo,
dei um pulo desesperado
e o leão comeu nós dois.
Depois fui pirata mouro,
flagelo da Tripolitânia.
Toquei fogo na fragata
onde você se escondia
da fúria de meu bergantim.
Mas quando ia te pegar
e te fazer minha escrava,
você fez o sinal-da-cruz
e rasgou o peito a punhal...
Me suicidei também.
Depois (tempos mais amenos)
fui cortesão de Versailles,
espirituoso e devasso.
Você cismou de ser freira...
Pulei muro de convento
mas complicações políticas
nos levaram à guilhotina.
Hoje sou moço moderno,
remo, pulo, danço, boxo,
tenho dinheiro no banco.
Você é uma loura notável,
boxa, dança, pula, rema.
Seu pai é que não faz gosto.
Mas depois de mil peripécias,
eu, herói da Paramount,
te abraço, beijo e casamos.
*Traduzindo a milenar máxima acima, Shiva, na filosofia comportamental shakta (que embasa Nossa Cultura), corresponde ao princípio masculino da Natureza, Shaktí, ao princípio Feminino e shava quer dizer cadáver.
Então, Shiva (homem) sem Shaktí (mulher) é um cadáver. Ponto.
Essa nem o Fábio Júnior conseguiria...
sexta-feira, 11 de junho de 2010 | Postado por Rômulo Justa às 19:19 0 comentários
O currículo perfeito!
“Até cortar os próprios defeitos pode ser perigoso, nunca se sabe qual é o defeito que sustenta nosso edifício inteiro”. Clarice Lispector
Eis a prova: 
A clássica Torre de Pisa
Quando eu trabalhava com Recursos Humanos (sim, eu também trabalhei com isso...), analisava os currículos e me perguntava se todas aquelas qualidades e potencialidades escritas eram realmente reais.
Às vezes eram, outras vezes, não. O problema, contudo, nunca recaía sobre as qualidades, que, enfim, podem ser desenvolvidas e aprendidas. O problema eram os defeitos..., dificuldades de relacionamento, traços de personalidade capciosos, rancores não assumidos que quando eclodiam, botavam uma equipe inteira a perder...
Aí pensei: um currículo ideal deveria incluir um tópico só para dificuldades pessoais, ali, bem ao lado de seus títulos, interesses, qualidades etc. Que ato de honestidade plena, vontade de aprender, que demonstração de força!!
“Olha, eu tenho dificuldade nisso, mas estou disposto a aprender”; “não me dou muito bem naquilo, mas posso ajudar, ou pelo menos não atrapalhar, quem se dá bem”. Para mim, seria um prazer trabalhar com uma pessoa dessa!
Moral da história?
Nenhuma, só quis compartilhar :)
quinta-feira, 10 de junho de 2010 | Postado por Rômulo Justa às 19:33 2 comentários
"Não busque acertar, busque errar da maneira certa"
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Simples assim :)
Essa frase me veio num samyama muito especial e tem tudo a ver com o que discutimos sobre o mito da perfeição.
O medo de errar impede qualquer acerto, ou pelo menos aqueles acertos que valem a pena...
Sim, devemos treinar, esforçar-nos, progredir obssessivamente, mas sem a vã ilusão de que tudo sairá como esperamos: não sairá mesmo! Deve ser algum dispositivo da natureza que nos força a não nos acomodarmos, pois sempre faltará algo...
Culturas e grupos que estimulam e até toleram os erros são aquelas que mais aprendem, inovam e constroem. Um erro não é um problema, pelo menos quando é fruto de um esforço sincero para acertar. Nesse caso, torna-se um degrau para patamares ainda mais elevados de acertos! Já quando o erro é oriundo de displicência e afins, bom... aí é um erro mesmo!!
O tempo todo procuro aplicar isso em minha vida: achar o jeito certo, impecável, de errar. Numa coreografia do Método DeRose, isto é indispensável, mas também em vários outros aspectos da vida cotidiana: quando trabalhamos, convivemos, amamos...
Relacionamentos afetivos, então, nem se fala... Quando estamos conhecendo uma pessoa ou nos apaixonando, há uma vontade implacável de acertar em tudo! De não demonstrar um erro sequer! Isto pode até funcionar... por algum tempo. Depois, o que resta são dois seres humanos, sem máscaras, cujo principal privilégio é o de... errar juntos! Garanto, geralmente é mais divertido do que errar sozinho!!
Ok, falei tudo isso, mas sei que não é fácil. Pessoalmente, neste aspecto já me dei mal e errei várias vezes...
Ainda bem!
quarta-feira, 9 de junho de 2010 | Postado por Rômulo Justa às 19:52 2 comentários
Marcadores: comportamento, qualidade de vida, ética
A perfeição é um mito

É, a pureza também...
Sou perfeccionista assumido e gosto de estar cercado profissionalmente de pessoas que também o sejam.
Dito isso, afirmo categoricamente que o ditado mais certo do mundo, que me é tão precioso e no qual me incluo sem nenhuma dúvida, é: ninguém é perfeito...
Contradição? Paradoxo? De jeito nenhum. Tenho claro para mim que a perfeição é um mito, ela nunca pode ser alcançada, pois se faço algo ultra bem-feito, certamente alguém não julgará tão perfeito assim, já quando outras pessoas dizem que está perfeito, é minha vez de pensar o contrário!
Não obstante, devemos estar sempre no encalço da perfeição! A ressalva de que ela é apenas uma miragem me impede de embarcar em alguma neurose de auto-crítica implacável ou paranóia de perseguição, pois muitos perfeccionistas são um bando de pé-no-saco achando que o Mundo tem tempo para parar e admirar suas chatices perfeitas.
O que importa mesmo é trabalho, autossuperação, aprendizado e aprimoramento constantes. Isto sim, não é mito. A perfeição sempre está no processo, não no produto.
Para ilustrar o que falo, sempre lembro a trágica história da minha primeira nota 9,9. Que desespero, que infortúnio! Já havia levado vários zeros monumentais e nem ligava mais, mas um 9,9, que suprema humilhação!!! Faltou um décimo, eu quis assassinar e esquartejar o professor!!!
Que coisa, não? Não conseguia me satisfazer com uma nota tão alta, simplesmente porque faltava um décimo!!
Se eu encontrasse novamente esse professor hoje em dia, pararia e beijaria sua mão. O que aprendi nesse dia foi ouro puro...
terça-feira, 8 de junho de 2010 | Postado por Rômulo Justa às 13:30 3 comentários
Marcadores: comportamento, filosofia
A percepção infantil

Esse texto é uma homengem ao meu querido amigo Klinger, que fez aniversário no último dia 28 de maio.
Há algum tempo atrás, conversando com meu amigo Klinger, aluno do Método DeRose, ouvi-o dizer algo que me fez pensar. Falávamos a respeito das diferenças entre nossa percepção de adultos e a percepção infantil.
Então Klinger me disse algo do tipo: “quando eu era pequeno o Natal demorava tanto para chegar!! Os dias eram mais demorados, então era inevitável que o Natal parecesse algo muito distante! Hoje, pisco os olhos e já estou no final do ano...”
Achei aquilo fantástico e verdadeiro e logo me lembrei de outros exemplos! Aos meus olhos de criança o jardim da casa da minha avó era uma verdadeira selva! Não à toa, eu meus primos chamávamos o local de “floresta”. E mais: qualquer saguão de casa era um corredor imenso de uma caverna, a sala de uma espaçonave, qualquer coisa ínfima poderia se tornar mágica! Já adulto, as paredes do meu quarto começaram a parecer uma gaiola e enjôo fácil de um local se passo mais de três horas nele...
Que estranho perder este encanto espontâneo infantil, falamos de nós mesmos na infância como se falássemos de outro ser!
Não quero que todos voltem a ser crianças, tudo tem seu tempo e sua fase, mas será que esta arte de fazer de cada quinhão uma imensidão não poderia ser preservada nos crescidinhos, estes insossos homens/mulheres de negócios, pais/mães de família?
Aposto que sim! E você?
domingo, 6 de junho de 2010 | Postado por Rômulo Justa às 06:18 6 comentários
Marcadores: comportamento, qualidade de vida
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