
Janela Indiscreta, clássico de Hitchcock
Não tem jeito, o que é proibido é mais gostoso. Proibido, desde criança, é tudo aquilo que as pessoas não podem nos ver fazendo. Então, quando ninguém está vendo, tudo é possível...
Isso tem efeitos maravilhosos, óbvio; eróticos, sobretudo... nesse sentido, é uma arte a ser cultivada com esmero.
Mas há outro lado da moeda. A personalidade humana é moldada pelo olhar e pela exigência do Outro, desde a mais tenra infância, precisamos nos esforçar para preencher as expectativas dos pais, amigos, familiares, professores etc. Como um olho gigantesco que tudo vê, vivemos de demonstrar às pessoas que somos isso ou aquilo. “Olha como sou um bom marido, um bom filho!”, “Olha como sou esperto, como sou rico!”.
E assim, diante das pessoas, somos perfeitos cavalheiros e damas, mas... e quando ninguém vê?
Quando ninguém visita sua casa, você se preocupa em deixá-la limpinha e cheirosa?
Quando você está só na rua, com um monte de treco na mão, joga o lixo ou no chão ou dá-lhe um fim mais ecológico?
Qual a sua expressão facial quando está sozinho diante de um computador?
Praticantes do Método DeRose, vocês são estéticos e coreográficos fora de sala de aula? Aplicam o código de ética quando seu instrutor não está perto?
São capazes de fazer algo bem feito, sem que ninguém lhes peça e que ninguém reconheça seu trabalho no final?
Se você respondeu sim a boa parte destas perguntas, parabéns, você é um autotélico, palavra de origem grega que une dois radicais auto (seu próprio) e telos (finalidade, meta). Ou seja, você é capaz de traçar suas metas e se mobilizar para atingi-las, sem necessariamente receber aplausos no final... vai lá e faz!
Pessoas dessa estirpe são raras, são elas que fazem a diferença no marasmo, desafinando o coro dos falsos contentes. Não param diante de olhares reprovadores, nem se fiam em olhares de aprovação. Mais importante ainda, são capazes de agir nos bastidores, muitas vezes sozinhas, sem chamar a atenção, mas agem de uma maneira tão completa e total que acabam por tornarem-se os verdadeiros construtores e inovadores da raça humana.
Os momentos em que ninguém está lhe olhando são os momentos mais reveladores sobrem quem você realmente é. Estude-se e quando for agir quando ninguém estiver por perto, lembre-se que só sua ação impecável importa.
Para além do bem e do mal, é sempre só a impecabilidade que importa. Mesmo quando ninguém vê, ninguém elogia, ninguém aplaude...
O que você faz quando ninguém vê?
quinta-feira, 27 de maio de 2010 | Postado por Rômulo Justa às 15:29 0 comentários
Marcadores: comportamento, ética
Quer Qualidade de Vida? Azúcar!!!
A cantora cubana Celia Cruz
Incrível como tentam todo tempo nos assassinar pela boca. Parece que tudo que é delicioso e dá vontade de repetir é um tipo de kriptonita. Quer algo mais estressante que conferir calorias, gorduras trans, sal, corantes em tudo que você come? Pois vai um conselho de especialista:
“nunca deixe a culpa morder seu chocolate!!”
Na década de 90, a prefeitura de uma cidade da Irlanda conseguiu diminuir o índice de violências nos pubs (bares locais) distribuindo aos seus fregueses... chocolates!! Simples assim. Se tivessem oferecido algum sanduba natureba, por certo os assassinatos continuariam, até cresceriam, somando-se os cadáveres de todos os garçons infortunados que parassem os beberrões para oferecer tamanha “iguaria”.
Então nunca embarque em paranóias naturebas, ainda mais imperdoável em quem não come carne, que já sofre com o estigma ignorante de “comedor de folhas”, quando na verdade sua culinária é uma das mais sofisticadas e deliciosas do mundo!!
Não estou dizendo para você trocar seu saudável desjejum por Fanta Uva e Ruffles, no Método DeRose aliamos uma cozinha suntuosa e saudável. Duvida? Experimente um dos nossos gourmets...
No mais, quando algum natureba paranóico vier lhe falando dos malefícios de tal e tal coisa, use o grito de guerra da cantora cubana Celia Cruz:
Azúcar!!!!! (Açúcar)
quarta-feira, 19 de maio de 2010 | Postado por Rômulo Justa às 08:21 1 comentários
Marcadores: comportamento, qualidade de vida
Beatles, Gandhi e como fazer uma revolução

Há bem pouco tempo, falei que todo mundo quer mudar a si próprio, mas não são poucos os que, de quebra, querem mudar o mundo. Se você já teve dezesseis anos, sabe do que falo.
Nos meus dezesseis esse desejo era ardente, insuflado pelos hormônios em polvorosa, mas não demorou muito e um rosário de decepções me tornou, por um bom tempo, um azedume ambulante profundamente pessimista, o que não foi difícil, pois sempre tive um temperamento deselegantemente cético.
Mas eu tinha bons motivos. Olhava todos os pretensos “revolucionários” que me cercavam, nos grêmios e diretórios estudantis, nos partidos, em qualquer lugar, e constatava que, assim que desciam do palanque, acabados os discursos impecáveis, tornavam-se pessoas intransigente, grosseiras, bitoladas, que sequer conseguiam sustentar uma conversa trivial e cordial com quem quer que fosse.
Pura hipocrisia, isso nunca me desceu. Queriam implementar uma Marcha Adiante para a Humanidade e sequer sabiam amarrar os próprios cadarços? Na verdade, naquela época, não tinha me tocado que era isso que me incomodava. Só quando comecei a estudar mais a fundo a Cultura e a Filosofia Hindu me liguei definitivamente.
Nesta, há uma ênfase profunda na pesquisa subjetiva, como forma de encontrar seu verdadeiro lugar no mundo, aquele papel histórico-cultural que, dado suas genuínas potencialidade e limitações, só você pode exercer em plenitude. Trata-se do swadharma, seu próprio (swa) dharma, que pode ser traduzido como lei e interpretado como sua própria lei, seu próprio curso de ação no mundo.
Assim, antes de se meter em comícios macaqueando a doutrina política de seus chefes de partidos, alguém como Gandhi realizou uma honesta pesquisa subjetiva, mergulhou em si e estudou-se em suas relações com os outros. Emergiu deste processo um líder consumado, que com sua estratégia pacífica de desobediência civil ajudou a afundar o domínio britânico sobre a Índia no século passado. Seus discursos cativavam todo um povo, pois não eram hipócritas: Gandhi era o que discursava, ele vivera o que pronunciava.
Depois de sacar isso, a música revolution dos Beatles passou a ser quase um hino para mim. Escute ela e descubra porquê! * Está em english, sorry :)
ps: da próxima vez que acordar com vontade de mudar o mundo, arrume seu quarto primeiro.
domingo, 9 de maio de 2010 | Postado por Rômulo Justa às 13:47 0 comentários
Marcadores: comportamento, filosofia
Ainda um pouco sobre raiva e afins

Garoto enxaqueca, garoto enxaqueca... (alguém lembra?)
A cultura judaico-cristã, que norteia a vida de tantas pessoas (no Ceará, no Brasil, no mundo), trouxe algumas coisas boas e outras nem tanto. A maneira como ela lida com sentimentos “capciosos” (mas importantes) como a raiva, o desejo e a ambição cabe na categoria “nem tanto”...
Segunda esta visão de mundo, há sentimentos construtivos como o amor altruísta, a compaixão etc., que devem ser sentidos, até como chave para uma vida mais sublime; já outros, geralmente que envolvem objetivos mais individualistas, são pecado e devem ser apagados e calados a todo custo.
Então de um lado há os sentimentos públicos, que você deve mostrar, e de outro os inconfessáveis que você deve fingir que não existe. Acontece que eles existem, e sabe aquelas crianças que quando você pede para parar de fazer birra, fazem pior ainda? Assim são estes sentimentos: uma grande panela de pressão, quanto mais comprimidos e abafados mais prontos para explodir geral! E a única coisa que sobra após essa explosão é a culpa, um dos sentimentos mais inúteis que se possa imaginar. Não constrói nem destrói nada, apenas invalida, enfraquece...
A Natureza é sábia, se ela dotou o organismo humano de raiva, desejo e ambição é porque eles devem cumprir alguma função. Então a proposta não é fugir destes sentimentos, mas vivê-los e elevá-los a outro patamar.
O problema não está em sentir raiva, mas na maneira como você externará isso. Sentimentos vêm e vão, isso é típico de seu modo de funcionamento, então preocupe-se com o que fará enquanto eles estiverem ativos. Canalize e construa, assim quando eles forem embora, terão deixado um bom legado para você.
Se formos mais fundos, percebermos que esta proposta comportamental é extremamente sofisticada. É uma aceitação dinâmica (pois nunca é conformista!) incondicional da vida como ela é, não adianta perder tempo se punindo ou penitenciando porque somo menos perfeitos do que imaginamos.
Adianta viver integralmente tudo que nos chega e fazer disso algo bom e construtivo, sem culpa. 
Tribo mbuti
Os mbuti, pigmeus do Congo, na África, que parcamente tiveram contatos com a civilização judaico-cristã, são conhecidos por viverem sem medo. Assim, simplesmente. Vem delas essa singela canção:
A Escuridão nos envolve... mas se a escuridão É, então a Escuridão é boa”.
Nada a ver com o que eu falei? Pense melhor...
quarta-feira, 5 de maio de 2010 | Postado por Rômulo Justa às 18:41 0 comentários
Marcadores: antropologia, comportamento, ética
Visite o blog do educador DeRose!
segunda-feira, 3 de maio de 2010 | Postado por Rômulo Justa às 17:47 0 comentários
Desligou o botão do óbvio? Quer Qualidade de Vida? Tenha raiva

A violência é a agressividade mal-educada (DeRose)
Antes de ler este post, sugiro que leia o texto "cuidado com o óbvio", para saber melhor do que falo.
Vocês lembram do filme "Um dia de fúria", com Michael Douglas? Pois é, eu já tive vários dias assim e sofria horrores. Eu não sabia que sentimento precioso eu estava desperdiçando...
A raiva é sempre o estouro do estopim, um aviso de que alguém ou alguma situação escapuliu do seu esmerado curral de expectativas e ideais agradáveis. Este curral geralmente é invisível ou imperceptível (você pode chamá-lo de preconceito, paradigma, fique à vontade...), mas nestes rompantes de fúria é como se pegasse fogo e se iluminasse de súbito! “Eu fiquei #@%$ por isso!”
Isto é autoconhecimento puro, ao vivo! Maravilhoso... não fosse essa manada de adrenalina frenética que nos faz falar, pensar e fazer asneiras, para logo bater o arrependimento. Não poderia ser diferente, tipo, uma raivinha limpinha, cheia de insights, mas sem aquele impulso irresistível de sair quebrando alguma coisa... qualquer coisa?
A Natureza é sábia. Toneladas de adrenalina são necessárias precisamente para se romper a inércia da situação desagradável, é preciso uma cota extra de energia e ímpeto para superar este obstáculo nefasto, seja um predador na savana, sua chefe de TPM, seu concorrente empresarial etc.
Sábios também são aqueles que canalizam a seiva bruta da raiva para outros alvos que não os causadores originais do infortúnio. E aí é pura alquimia, da fúria sanguinolenta vemos emergir belas sinfonias, pinturas bucólicas, inovações científicas... Freud chamaria esse processo de sublimação.
Importante frisar que a raiva sublimada não redunda em comportamentos agressivos com quem quer que seja, mas é revertida em sentimentos radicalmente opostos: força, alegria, determinação e até gratidão. Utilize-a como combustível ao seu movimento e não para atear fogo em outrem. Bom lembrar: é raiva é sua, de mais ninguém...
Um dos efeitos colaterais do Método DeRose é justamente um upgrade na administração das emoções. Como é uma filosofia prática, não adianta só ficar lendo o que escrevo, é preciso experimentar na pele. Mas quer algumas pistas? As técnicas respiratórias são uma importante ferramenta. Além das técnicas de concentração e meditação, as técnica de descontração, que facultam o sujeito a se descontrair por completo mesmo no olho do furacão, dentre outras técnicas...
Bom é isso. Ficou curioso? Mais informações só ao vivo, se isto lhe deixou com raiva, é um bom começo...
sábado, 1 de maio de 2010 | Postado por Rômulo Justa às 13:45 2 comentários
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